Tentar esconder o explícito, o que nunca poderia ser descoberto, era, mesmo, uma grande tolice. Tentar ocultar meu desapontamento era perda de tempo. Quem de nós dois vai dizer que é impossível o amor acontecer? Eu digo, e suas entrevozes dizem, também. No vão das coisas que a gente disse, não cabe mais sermos somente amigos... O que, então? Esqueci aquela estória de amantes fugazes. Acabo entrando sem querer na tua vida... E me perco, me congelo por entre a tua voz e o teu gesto. A tua voz e o teu gesto. Dizem tanto... A tua voz e o teu gesto.
"Todo o sentimento precisa de um passado pra existir. O amor, não. Ele cria, como que por encanto, um passado que nos cerca. Ele nos dá a consciência de havermos vivido anos a fio com alguém que, há pouco, era quase um estranho. Ele supre a falta de lembranças numa espécie de... mágica."
Mas quem disse que era amor? Era apenas o seu peso que me puxava. E eu me deixava levar, nas tuas idas e vindas misteriosas e repentinas. Quem disse que era amor? Talvez eu tenha lido isso numa página de jornal ou livro, porque vim repetindo pra mim mesma, até chegar em casa. Quem disse que era amor?