A maior recompensa foi ele ter dito "No dia do trote você sumiu" e o maior arrependimento foi de eu ter dito o porquê com uma mentira mais do que idiota. Calada eu teria ficado feliz o suficiente pelo resto da manhã que vagabundei com ele nos tanques de anfíbios, falando sobre maconha, sexo, e corrupção dos professores. Eu estava estranha, esperando algum tipo de afeição. Ele parecia indiferente e falador, sussurrando do jeito que me fez apaixonar, mexendo os dedos de unhas longas. Eu só não entendia por que estávamos no mato sem cigarro, falando merda e ele nem sequer se aproximava para que eu o beijasse. Talvez só quisesse que eu o atacasse para depois fofocar pros amigos.
E Marcelo, que vi um dia antes da minha ansiada terça de morfologia-e-sistemática-de-criptógamas-I. Eu consigo ser loucamente apaixonada por ele, e ele consegue me ignorar sem fazer muito esforço. Mesmo assim eu pareço não ter muita vergonha enquanto tento beijá-lo o mais perto da boca possível.
Aí Ighor e Marcelo, Marcelo e Ighor - juntos. Preferi Marcelo, e depois fugi com Ighor pro CEB, onde ele, num gesto raro, me abraçou e beijou na biblioteca quando confundi uma preguiça gigante com um dinossauro. Ele é estagiário de paleonto, e eu sou uma caloura idiota que gosta de abelhas. Eu gosto do cheiro de Ighor, suor, perfume e cigarro. Gosto do sal em seu pescoço, dos seus lábios estranhos e distantes.
Hoje ele mostrou uns fósseis para uma profa, Marlucy?, enquanto eu observava e ouvia. Tive vontade de fazer anotações sobre as pessoas, sobre o que eu aprendia e estranhava feito uma criança. Daí esse meu post em forma de diário. Eu queria me manter atualizada sobre mim mesma, a respeito da minha memória desgraçada. Eu queria lembrar de Ighor e das suas palavras macias. A menina que copiava.
30 de março de 2009
29 de março de 2009
Eu, você, e meus pedaços.
Fecho meus olhos e vejo teus erros. Os abro, e me machuco. Te vejo. Me parto em mil pedaços que é pra cada um deles se grudar em um pedaço teu. E eu me machuco, de novo. Você me arranha.
O que desejo te falar é verdade demais. Você não vai aguentar. Por isso eu me sangro... pura covardia. Corto meus pulsos, e já não tenho mais sangue.
Ando quase morrendo, desmaiando. Meus olhos ficam esbranquiçados, minhas pernas fraquejam, e, quase sem voz, eu tento chamar teu nome. Ligo pro teu telefone, e uma voz atende, parecia que tinha acabado de acordar: "oi, ele está dormindo."
E meu mundo volta a desabar, se partir em milhões de pedaços pequenos. E eu sento num banco, esperando tudo isso acabar, te esperando voltar. E quando você volta, eu viro as costas e caminho numa direção contrária à tua. É que eu estou cansada...
E corto meus pulsos novamente, pela minha covardia. Por eu sentir vontade de ter você pra mim, mesmo odiando o cheiro de cigarro grudado na tua pele. Mesmo odiando tua voz de tarado.
Mesmo te odiando, eu te amo. E digo isso covardemente. Como sempre...
O que desejo te falar é verdade demais. Você não vai aguentar. Por isso eu me sangro... pura covardia. Corto meus pulsos, e já não tenho mais sangue.
Ando quase morrendo, desmaiando. Meus olhos ficam esbranquiçados, minhas pernas fraquejam, e, quase sem voz, eu tento chamar teu nome. Ligo pro teu telefone, e uma voz atende, parecia que tinha acabado de acordar: "oi, ele está dormindo."
E meu mundo volta a desabar, se partir em milhões de pedaços pequenos. E eu sento num banco, esperando tudo isso acabar, te esperando voltar. E quando você volta, eu viro as costas e caminho numa direção contrária à tua. É que eu estou cansada...
E corto meus pulsos novamente, pela minha covardia. Por eu sentir vontade de ter você pra mim, mesmo odiando o cheiro de cigarro grudado na tua pele. Mesmo odiando tua voz de tarado.
Mesmo te odiando, eu te amo. E digo isso covardemente. Como sempre...
27 de março de 2009
Orelhas azuis
Eu esperei impacientemente o dia inteiro, a aula inteira; esperei a cada arrastar dos meus pés pelo prédio, seguindo teu cheiro, teu rastro falso. E quando você apareceu, óculos escuros, cabelo molhado, eu fui na direção contrária. Você tinha que sentir minha falta. Mas posso apostar que não sentiu.
Eu queria só que você tivesse me visto lá parada conversando com Keilla e deduzido que eu iria segui-lo mais cedo ou mais tarde. E depois olhado para os lados na reunião do C.A.
Estou viciada nesse convívio doentio. Encosto meu rosto no seu ombro para sentir aquele cheiro familiar de perfume e cigarro. Beijo teu rosto macilento.. esperando.. esperando o que?
Eu queria só que você tivesse me visto lá parada conversando com Keilla e deduzido que eu iria segui-lo mais cedo ou mais tarde. E depois olhado para os lados na reunião do C.A.
Estou viciada nesse convívio doentio. Encosto meu rosto no seu ombro para sentir aquele cheiro familiar de perfume e cigarro. Beijo teu rosto macilento.. esperando.. esperando o que?
Outro dia irei te encontrar, e quais serão meus gestos dessa vez?
Saudade.

Lembra? Eu cheguei, te vi cantando e sentei. Te puxei pra perto, e desenhei esse coração em você. Grandes lembranças daqueles nossos dias. Poucos dias, e que me doeram quando acabaram. É que eu te queria mais perto...
E o filme? Ah, acho que nunca tive tanto prazer em assistir um filme.. Você estava bem ao meu lado, como sempre sonhei. Segurou minhas mãos, e eu senti um arrepio percorrer meu corpo.
Sabe, amor, eu não imaginava que o amor pudesse doer tanto.. Você viu como eu fiquei quando você disse que ia embora..
É que eu te amo...
[e não sei usar as metáforas que a Ruth usa, mas eu amo você... tá? *-*]
24 de março de 2009
Cordas
Ah, agora o Marcelo. Não me sinto ridícula em escrever sobre ele, já que me vi culpada por tantos os nomes que esqueci durante toda minha vida de colegial Então posso escrever que estou completamente louca por ele, ao menos até amanhã [...]
Mas abracei Ighor hoje. Eu gostei de ele me usar, me machucar, rir bem na minha cara. Eu gostei de sentir toda aquela dor sem reclamar, sem deixar ele saber. Marcelo tinha me tratado tão ternamente.. E Ighor me faz sentir um lixo. Os dois me atraem de uma maneira doentia. A chacota de Ighor x A voz estranha de Marcelo.
Mas abracei Ighor hoje. Eu gostei de ele me usar, me machucar, rir bem na minha cara. Eu gostei de sentir toda aquela dor sem reclamar, sem deixar ele saber. Marcelo tinha me tratado tão ternamente.. E Ighor me faz sentir um lixo. Os dois me atraem de uma maneira doentia. A chacota de Ighor x A voz estranha de Marcelo.
Me imagino entre os dois. Acho que sairia correndo. Ou sentaria no pau do Marcelo na frente de Ighor.
20 de março de 2009
Dia cinzento
Dia cinzento da porra, e ele entrou de repente como se eu não o tivesse procurado discretamente o dia todo. O engraçado é que eu já tinha desistido e ido estudar quando ele apareceu, os olhos vermelhos e o cabelo loiro solto. E acabei seguindo ele na secretaria, no CEB, na vivência, e finalmente no Bambu Bar, onde tomei um gole de cerveja. Ele tinha de ir pro Museu, e voltou pra parada. Vim pra cá a pé, e me pus a pensar e escrever sobre aquele idiota loiro e alombrado.
Dia cinzento, e eu não parecia normal. Ele me contava que tinha fumado um troço muito louco na noite passada, e que agarrou a garota que tinha acabado de entrar. Gatinha ela, ele disse. Olhei e me achei muito mais gostosa, mas aquilo não significava muita coisa afinal. Eu parecia mesmo muito fumada enquanto caminhava ao lado daquele maluco. Quis beijá-lo, depois não, e depois não mesmo. Mas aquele cheiro estranho continua em mim, e eu tenho certeza que a boca dele tem gosto de salada de pepino. Eu só queria sentir mais perto, mais perto, mais perto, e não estava prestando a mínima atenção na história que ele estava contando, sobre ter imitado um espanhol para seduzir a mina da lanchonete. Acabou comendo cachorro quente de graça, disse.
Eu não estava ligando. Eu queria beber com ele, mas não podia, então vou pra casa me cortar.
Dia cinzento, e eu não parecia normal. Ele me contava que tinha fumado um troço muito louco na noite passada, e que agarrou a garota que tinha acabado de entrar. Gatinha ela, ele disse. Olhei e me achei muito mais gostosa, mas aquilo não significava muita coisa afinal. Eu parecia mesmo muito fumada enquanto caminhava ao lado daquele maluco. Quis beijá-lo, depois não, e depois não mesmo. Mas aquele cheiro estranho continua em mim, e eu tenho certeza que a boca dele tem gosto de salada de pepino. Eu só queria sentir mais perto, mais perto, mais perto, e não estava prestando a mínima atenção na história que ele estava contando, sobre ter imitado um espanhol para seduzir a mina da lanchonete. Acabou comendo cachorro quente de graça, disse.
Eu não estava ligando. Eu queria beber com ele, mas não podia, então vou pra casa me cortar.
18 de março de 2009
It's raining blades

Você sabe como é, aquela velha de história descer do ônibus na parada errada e ir correndo para casa debaixo de chuva. Eu pensei desesperadamente em meios de te fazer voltar, mas a única conclusão a que cheguei foi a de que nunca fui amada. E é por isso que eu não tenho vergonha na cara quando te peço encarecidamente que você me beije. Chego a notar que você não quer, mas acha que deve querer, e beija mesmo assim. Eu busco saber o porquê de eu não me importar nem um pouco com isso, mas acho que é pura sacanagem minha.Ah, se você voltasse, por debaixo da mesa chutando meu pé. As coisas seriam diferentes, e eu não estaria tão cansada de uma vida que nem sei se estou vivendo certo, de um óculos novo que está ferindo minha orelha, daquelas reuniões intermináveis do PET, de um aumento substancial de tecido adiposo na minha cintura. Porque você me faria rir de tudo isso ao teu lado, debaixo da tua pele ácida e quente.
Ácida e quente.