19 de maio de 2009

Desespero

Eu posso dizer para você o quanto eu a amo. Acordei e veio à minha mente a imagem daqueles seios feridos, que eu havia encarado por um tempo vergonhosamente longo quando me encontrei com ela outro dia. Eu estava acompanhada, e ela parecia triste. Mais tarde soube que foi expulsa do RED (seja lá onde for) por ter beijado alguém. Eu fiquei mal como nos velhos tempos, que nostalgia.

Só pra você, não conta pra ninguém, eu nunca a esqueci. Ou talvez só tenha ficado mágoa de ser tão rejeitada. Contigo não é legal, a ouvi dizendo baixinho tempos atrás. Mas talvez eu tenha ouvido errado, e ela não quis repetir. O que eu não fiz por aquela mulher, me diz? Noites insanas, lágrimas amargas. Eu lembro de nós duas chorando abraçadas. Minhas lágrimas eram fartas, enquanto as dela nem tanto. Só hoje reconheci o que aquilo significava: ela não estava sofrendo. Eu estava cega, e posso voltar a ficar cega se ela me quiser de novo, mesmo se for por uma tarde...

16 de maio de 2009

. Uma dose de cura, por favor .

Quando eu vi, Marina estava deitada na cama, fazendo pose de Cristo Redentor. Seria bonito, se não fosse pelo seu corpo magrelo, com manchas de sangue e uma garrafa de vinho do lado. Foi Renato, pensei, enquanto molhava um punhado de algodão no alcool. Da última vez, Marina jurou que não choraria mais. Grande mentira. Ela estava se acabando. Morria. Apenas morria, pra depois renascer.

12 de maio de 2009

. Lembrança em preto e branco .

O sabor amargo dos xingamentos engolidos, em reverência. Vesti minha roupa e bati a porta. Toda aquela situação era constrangedora. Você reclamava do preconceito externo, mas era apenas farsa. O maior - e que mais afetava - era o interno, sua luta contínua, o medo de assumir seu desejo e me rasgar inteira. Em lembrar do teu beijo, eu cuspo e sinto nojo. Era dor demais. Lembrança em preto e branco.

10 de maio de 2009

. AAA .

Eu fico falando como se houvesse necessidade em responder. Como se toda aquela farsa não fosse resposta mais que suficiente. O desenrolar do teu discurso foi o culpado por ela ter dormído - e não o sonífero que pus em seu copo. Era irritadoramente enfadonho.

I'll go to anywhere, with anyone, anyway.

6 de maio de 2009

AC

Passei o dia pensando em coisas pra te escrever. Não veio nada. Nada absurdamente fantástico ou feio. Vieram letras mal rabiscadas, metáforas sem sentido e desenhos sem forma. Mas eu queria te agradar. Deitar na cama com você pra conversar bobagens. Mas não. Minha covardia e castidade me mantém longe de você. Te faço juras secretas, tão secretas que você nem sabe. Crio um manual pra saber como agir. E a primeira regra é: não programar nada. E eu desisto de tudo. Desenho teu nome com batom vermelho na minha perna e fico admirando meu trabalho: desperdício. Você não vai ver. Muito mal vai me olhar com o canto dos olhos e dizer algumas palavras. Sua sucinta! Sento na minha poltrona preferida e vejo teu show. Tua voz me cerca. Não é novidade, só eu estou sentada na platéia. Sua solidão sou eu quem vê. Laura e seus fantasmas desaparecem. Como soldados covardes que fogem da guerra, eles sobem em cavalos negros, te olham pela última vez e correm para o além. E eu assisto tudo, até que as cortinas se fecham e você vira pó. Só restou sua presença na minha lembrança. Ácida e quente.

[pra ficar (mais) emo. Você merece, minha Si adorável.]

4 de maio de 2009

. Nosso Filme .

http://www.youtube.com/watch?v=D_7oM73Ptvk&feature=channel_page

Só pra lembrar de você. Pra sentir as farpas pelo corpo e dar aquele sorriso de meia-boca, porque é a única coisa que eu tenho feito desde aquele momento.
 

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