Dia cinzento da porra, e ele entrou de repente como se eu não o tivesse procurado discretamente o dia todo. O engraçado é que eu já tinha desistido e ido estudar quando ele apareceu, os olhos vermelhos e o cabelo loiro solto. E acabei seguindo ele na secretaria, no CEB, na vivência, e finalmente no Bambu Bar, onde tomei um gole de cerveja. Ele tinha de ir pro Museu, e voltou pra parada. Vim pra cá a pé, e me pus a pensar e escrever sobre aquele idiota loiro e alombrado.
Dia cinzento, e eu não parecia normal. Ele me contava que tinha fumado um troço muito louco na noite passada, e que agarrou a garota que tinha acabado de entrar. Gatinha ela, ele disse. Olhei e me achei muito mais gostosa, mas aquilo não significava muita coisa afinal. Eu parecia mesmo muito fumada enquanto caminhava ao lado daquele maluco. Quis beijá-lo, depois não, e depois não mesmo. Mas aquele cheiro estranho continua em mim, e eu tenho certeza que a boca dele tem gosto de salada de pepino. Eu só queria sentir mais perto, mais perto, mais perto, e não estava prestando a mínima atenção na história que ele estava contando, sobre ter imitado um espanhol para seduzir a mina da lanchonete. Acabou comendo cachorro quente de graça, disse.
Eu não estava ligando. Eu queria beber com ele, mas não podia, então vou pra casa me cortar.